quarta-feira, 15 de junho de 2011

Há dez anos atrás...

  ...eu ainda era uma menininha com muitos sonhos e ideias para o meu futuro. Sonhava em viajar para os Estados Unidos. E não imaginava que se passariam tantos anos sem ver a minha tia.
  E foi em 2001 a queda das Torres Gêmeas, um dia marcado pelo terror, e inesquecível para muitos. Todos aqui em casa ficaram aterrorizados com os atentados e com o fato da tia Raquel não conseguir ligar para dizer que estava viva. Uma "chuva de notícias" pela mídia nos causou medo de um ataque ainda maior. E este foi o pior dia daquele ano.
  Neste mesmo ano a Pollyana nasceu e o tio Carlos morava aqui em casa. Éramos uma família bem grande. E nem passava pela minha cabeça a ideia de que muita coisa mudaria na minha história.
  Como qualquer outra criança, eu queria me tornar adulta, e ficava sonhando em ser Oceanógrafa. Nadar entre os peixes, e estudar os oceanos. E então cresci e até hoje não aprendi a nadar.
  Se eu pudesse parar o tempo, pararia naquele exato momento, quando eu e a Alice brincávamos de boneca, quando o Tio Carlos me levava para passear e quando a casa sempre estava cheia.
  E é escrevendo este texto que por alguns minutos entrei em êxtase, completamente presa nas sensações de encantamento que aquele tempo me causa.
  Admirada com as lembranças que esta memória fraca guarda, de quando eu era criança e sonhava.



terça-feira, 7 de junho de 2011

Oscilação de um coração

  Certo dia um velho amigo contou-me uma história de um leão que tinha uma namorada, a qual fazia dele um leão melhor. Mas o leão nem sempre percebia o quanto ela gostava e lutava para os dois ficarem juntos. Por ele ser o rei da floresta, não podia deixar o seu reinado de lado para construir uma família com a ela.
  Com o passar dos meses ela foi se cansando disso, e a única coisa que mantinha os dois unidos era o amor que ela sentia por ele quando juntos eles ficavam. A cobrança começou a ficar cada dia mais forte para a cabecinha do leãozinho. Embora a leoa quisesse só o bem dele e do resto da relação que eles tinham, ela ficou cega e não consegui ver que o seu leãozinho  estava começando a oscilar, tentando achar em outras leoas do seu seu reino distração, farra e felicidade.
  A leoa com o passar do tempo começou a ficar com a pulga atrás da orelha, e com um instinto animal, começou a vasculhar tudo o que seu amado fazia. E suas investigações lhe causaram dor, bem maior que a de um tiro de caçador. E com todas as suas descobertas, ela se sentiu presa nas armadilhas do seu amor. Triste ela ficou, quis por um fim na sua história de terror.
  E o tal do leão que tanto oscilou, de um lado para outro do seu reino, então implorou perdão. Eis que os dois continuam juntos até o dia de hoje, mas não se pode ter certeza do dia de amanhã. Já que o perdão, ainda não chegou nos ouvidos deste que tanto enganou.
  E desta fábula que meu velho amigo me contou, eu só peço por favor, não machuque o seu amor!


Fábula escrita por Aline Kaiser no dia 06/06/2011